Os carros elétricos vêm avançando em ritmo acelerado. Basta lembrar que, há cerca de 20 anos, um veículo movido a bateria conseguir rodar 115 km com uma carga (como acontecia com o Nissan Hypermini) era algo notável - e hoje já existem elétricos capazes de passar de 400 km a cada recarga.
Mesmo assim, a autonomia (ou a falta dela), somada aos tempos de carregamento, ainda é encarada como um dos maiores entraves dos carros elétricos. Há, inclusive, quem descarte a compra justamente por esses motivos.
A boa notícia é que, assim como existem práticas para reduzir o consumo (e aumentar a autonomia) em carros a combustão, também há hábitos que ajudam no caso dos elétricos. Para que a ansiedade com a autonomia dos carros elétricos deixe de pesar, confira a seguir uma lista de dicas para extrair alguns quilômetros extras de cada carga da bateria.
1. Conduzir suavemente
Esse é um conselho que vale para qualquer tipo de carro. Quanto mais pesado for o pé no acelerador, maior será o consumo (seja de eletricidade ou de combustíveis fósseis) e menor será a distância percorrida.
A gente sabe que é tentador pisar fundo nas arrancadas ao volante de um carro elétrico, aproveitando o torque imediato. Só que, quanto mais vezes você fizer isso, mais cedo vai precisar parar para recarregar. Portanto, saia com leveza e evite uma condução agressiva.
2. Abrandar
Sempre que der, procure rodar mais devagar, mantendo a velocidade abaixo de 100 km/h. Essa simples mudança tende a aumentar a autonomia do seu carro elétrico. Segundo um estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos, se reduzirmos a velocidade média em cerca de 16 km/h aumentamos a autonomia em cerca de 14%.
Além disso, se o elétrico oferecer diferentes modos de condução, é melhor optar pelo “Eco” em vez do “Sport”: o que se abre mão em aceleração e desempenho pode voltar em forma de mais quilômetros de alcance.
3. Utilizar a travagem regenerativa
Como você já deve saber, carros elétricos conseguem recuperar energia quando diminuem a velocidade por meio do sistema de frenagem regenerativa. Assim, ao se aproximar de um semáforo ou ao precisar parar, tente deixar que a regeneração faça o trabalho, em vez de depender somente dos freios convencionais.
Se o seu carro permitir, também pode valer a pena ajustar a configuração da frenagem regenerativa para captar o máximo de energia possível. Dessa forma, nas desacelerações e paradas, dá para “reembolsar” parte da energia que se gasta ao arrancar.
4. Utilizar a função de pré-aquecimento do habitáculo
Quando você liga o aquecimento da cabine em um carro elétrico (principalmente no máximo), o sistema puxa uma quantidade considerável de energia da bateria. Para economizar, o ideal é usar o aquecimento dos bancos e do volante (se o veículo tiver esses recursos), já que eles consomem menos.
Outra alternativa é pré-aquecer o carro enquanto ele ainda está conectado à tomada, reduzindo a necessidade de aquecer com o carro já em movimento.
Assim como o aquecimento, o ar-condicionado também “devora” energia. Por isso, a melhor estratégia é usar o mínimo possível. Abrir as janelas pode ser uma saída, mas atenção: apenas em velocidades mais baixas, porque, conforme o carro anda mais rápido, janelas abertas pioram a aerodinâmica e também reduzem a autonomia.
Se você realmente precisar do ar-condicionado, prefira ligá-lo enquanto o carro ainda estiver carregando. Assim, diminui-se a necessidade de mantê-lo ligado quando o veículo já estiver na estrada.
5. Verificar a pressão dos pneus
Há estudos indicando que cerca de 25% dos automóveis rodam com os pneus em pressão incorreta, e com os carros elétricos não é diferente. Como você sabe, circular com pressão baixa aumenta o consumo de energia. Além disso, pneu murcho pode causar desgaste prematuro e irregular e ainda gerar superaquecimento - o que pode até levar a um estouro.
Para evitar esses problemas e ganhar autonomia, verifique com frequência a pressão dos pneus e, quando necessário, corrija conforme os valores recomendados pelo fabricante (normalmente, essas informações ficam em um adesivo na porta do motorista).
6. Reduzir o peso a bordo
Uma das maneiras mais eficazes de melhorar a eficiência de um carro é reduzir peso - e isso, claro, também vale para carros elétricos. Por isso, evite viajar com itens desnecessários no porta-malas ou espalhados pelo veículo. Fazendo isso, a autonomia pode aumentar entre 1 a 2%.
7. Aprender a carregar a bateria
Ao contrário do que muita gente imagina, pode não ser uma boa ideia deixar o carro eternamente ligado na tomada quando ele está na garagem. A questão é que a maioria das baterias usadas em carros elétricos tende a começar a se descarregar lentamente depois que o carregamento é concluído.
Assim, o ideal é que o carregamento termine pouco antes de você sair para a viagem. Com isso, a vida útil média da bateria também melhora.
8. Planear a viagem
Nem sempre o caminho mais rápido é o mais eficiente. Em alguns casos, dá para obter mais autonomia rodando por uma via comum (por trafegar mais devagar e por dar mais chances ao sistema de regeneração de energia de atuar) do que em uma rodovia, onde frequentemente se acelera mais e se consome mais energia.
Ao mesmo tempo, áreas muito montanhosas ou com trânsito pesado devem ser evitadas, porque essas condições também cobram seu preço em autonomia. Por isso, o melhor é planejar o trajeto com antecedência: além de evitar rotas que gastem mais energia, você pode organizar o percurso para passar por lugares onde seja possível recarregar.
9. Manter a aerodinâmica
Carros elétricos costumam ser projetados com foco em aerodinâmica. Quanto menor a resistência ao ar, maior tende a ser a eficiência. Portanto, vale a pena não atrapalhar o trabalho de designers e engenheiros: evite instalar barras de teto ou bagageiros que prejudiquem a aerodinâmica e, consequentemente, a autonomia.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário