No Brasil, o Dia Nacional da Adoção, comemorado em 25 de maio, é dedicado à adoção de crianças e adolescentes. Ainda assim, a data também ajuda a ampliar o debate sobre acolhimento responsável - uma ideia que se conecta diretamente à realidade de cães e gatos que esperam por uma família e precisam de escolhas bem pensadas para uma convivência saudável e duradoura.
Quando o assunto é pet, adotar não se resume ao “sim” inicial: exige preparação, planejamento e ajustes na rotina, sobretudo para quem vai assumir pela primeira vez a responsabilidade por um animal. De acordo com a médica-veterinária Mayara Andrade, de Guabi Natural (MBRF Pet), esse cuidado começa antes mesmo de o pet colocar as patas em casa.
“Ter um pet traz uma série de benefícios, como companhia, estímulo à rotina e até impactos positivos no bem-estar emocional. Mas, com isso, vem a responsabilidade. Muitas pessoas se encantam com a ideia, mas não consideram, na prática, o quanto o dia a dia muda. O animal vai demandar tempo, adaptação e cuidados contínuos, que incluem desde a organização da rotina até atenção com alimentação e acompanhamento veterinário”, afirma.
Preparando a rotina e a casa para receber o animal
Antes da chegada do novo membro da família, a veterinária destaca que vale fazer mudanças simples - e necessárias - no ambiente. Ela recomenda deixar os espaços mais seguros, afastando itens que ofereçam risco, e definir um cantinho calmo para descanso e alimentação, o que contribui para que o animal se sinta mais protegido.
“Nos primeiros dias, o pet pode ficar mais assustado ou retraído, especialmente se veio de um abrigo. Por isso, oferecer um ambiente acolhedor, com poucos estímulos e uma rotina previsível, faz toda a diferença na adaptação”, orienta Mayara Andrade, completando que a criação de uma rotina também é essencial: “Horários definidos para alimentação, passeios e descanso contribuem para reduzir o estresse e facilitar o processo de adaptação”.
Primeiros dias do pet em casa
Para quem está começando nessa experiência, Mayara Andrade aponta que um ponto sensível é equilibrar expectativas com a realidade. Filhotes, por exemplo, costumam exigir mais disposição, atenção e paciência. “É comum que, no início, o animal apresente comportamentos como latidos excessivos, necessidade constante de interação ou até pequenos ‘acidentes’ dentro de casa. Isso faz parte do processo de adaptação e aprendizado“, explica.
Já com animais adultos, esse período pode ser menos desafiador. “Os pets adultos tendem a ser mais calmos, mais tranquilos, já passaram pela fase de maior agitação e destruição. Além disso, têm o temperamento mais definido, o que ajuda muito na escolha e na adaptação”, afirma Juliana Valverde, responsável pela ONG GAVAA.
Mayara Andrade também ressalta que a proximidade se constrói aos poucos. “A relação entre responsável e pet não acontece de forma imediata. É um processo diário, que envolve cuidado, respeito e consistência”, reforça.
Cuidados com a alimentação do novo pet
Entre os aspectos que sustentam uma boa adaptação, Mayara Andrade aponta a alimentação como um fator decisivo. Além de nutrir, ela tem influência direta na saúde ao longo da vida, no comportamento e até na forma como o pet reage ao novo ambiente.
Na avaliação da profissional, iniciar com uma dieta equilibrada é uma das estratégias mais importantes para garantir qualidade de vida. “Um alimento completo e balanceado, feito com ingredientes de qualidade, contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, o bom funcionamento intestinal e o equilíbrio do organismo como um todo. Isso reflete não só na adaptação, mas na saúde e na longevidade do animal”, explica.
A veterinária chama atenção ainda para um ponto comum em adoções: a troca do alimento. “A transição alimentar deve ser feita de forma gradual, respeitando o histórico do animal e com orientação do médico-veterinário. Esse cuidado evita desconfortos gastrointestinais e contribui para uma adaptação mais tranquila”, orienta.
Adoção consciente e responsável de pets
Neste 25 de maio, Mayara Andrade lembra que a reflexão associada à data reforça a necessidade de escolhas conscientes e responsáveis. “No caso dos pets, isso significa compreender que a adoção é apenas o começo de uma jornada construída com amor, dedicação e cuidado contínuo”, afirma.
Segundo a médica-veterinária, o vínculo entre o animal e a família nasce no cotidiano, a partir da convivência, da atenção e do carinho. “Quando existe preparo, informação e atenção à rotina, com uma alimentação adequada, essa relação tende a ser ainda mais harmoniosa e recompensadora para todos. E isso faz toda a diferença na vida do animal e da família”, finaliza.
Por Roberta Muller
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